• Gustavo Candiota

Os candidatos a presidente e o futuro do dólar


Hora de especular um pouco, apenas para descontrair! Em tempos de campanha eleitoral, muitas são as previsões e "chutes" sobre o quanto cada candidato a presidente influenciaria os mercados caso fosse eleito. Já que é o assunto do momento, o Blog do Câmbio vai opinar resumidamente sobre os possíveis reflexos de curto e longo prazo no dólar, caso o novo Chefe de Estado seja:

1) Lula ou Haddad

Curto prazo: câmbio dispara

Longo prazo: paridade com real poderia chegar a R$ 5 com uma certa facilidade, pois provavelmente haveria grande fuga de capital para os EUA. Vale destacar que as análises e receios sobre o PT na presidência são hoje bem diferentes de 2002 - à época (pré-eleição) levou o dólar a R$ 4 de forma especulativa quando percebeu-se a grande chance de Lula no poder, para depois cair forte quando o mesmo adotou uma política econômica semelhante a de FHC. No entanto, nos dias de hoje temos um movimento sólido e não tão especulativo sobre o medo de um petista voltar ao palácio do planalto. Há forte rejeição aos candidatos que, se eleitos, poderiam resultar em violentos protestos nos meses subsequentes, afastando investimentos. Além disso, nos dias atuais vemos a economia norte-americana batendo recordes positivos com Trump, muito diferente de 16 anos atrás, quando passava por uma grave crise após os atentados do 11 de setembro. No momento, investir nos EUA em detrimento a países emergentes é uma decisão bem comum e se mostra um escolha bastante inteligente.

2) Jair Bolsonaro

Curto prazo: câmbio desaba

Longo prazo: Se o deputado tiver condições de governar, ou seja, conseguir passar reformas na câmara, podemos ver novamente o dólar nos patamares de R$ 3,00 a R$ 3,30. Reforçamos que apesar de ser um candidato claramente reformista, possui larga rejeição e a fortíssima bipolaridade que virá com ele também pode afastar investidores.

3) Ciro Gomes

Curto prazo: câmbio dispara

Longo prazo: possui experiência política, mas espantaria investidores estrangeiros com seu forte viés de esquerda e histórico de apoio ao PT. Dólar dificilmente ficaria abaixo de R$ 4 em 2019, mas há uma pequena chance de um fenômeno parecido com o que ocorreu com Lula em 2002 acontecer com Ciro, o que traria alívio ao câmbio ao longo de seu mandato, dependendo de suas decisões, se contrárias às suas ideologias e promessas.

4) João Amoedo

Curto prazo: câmbio desaba

Longo prazo: poderia ser considerado um novo momento da política nacional, um verdadeiro "recado" a investidores estrangeiros de que o país mudou para um viés extremamente liberal. Dólar poderia ficar até abaixo de R$ 3 ao longo de 2019. Acreditamos que este é ao candidato preferido do mercado e das agências de ratings internacionais.

5) Geraldo Alckmin

Curto prazo: câmbio cai moderadamente

Longo prazo: com seu forte apoio político e viés centro-direita, pode acalmar investidores e ao longo dos meses melhorar a imagem do país no exterior. Não acreditamos no dólar abaixo de R$ 3,50 com o politico do PSDB até porque para analistas experientes este partido está longe de ser verdadeiramente reformista. Ainda assim, podemos considerar que seria um presidente tranquilizador de mercados, pelo menos no início do mandato.

6) Marina Silva

Curto Prazo: câmbio dispara

Longo prazo: situação semelhante a de Ciro Gomes, mas talvez um pouco mais tranquila pois é uma candidata menos polêmica e que pode tentar um papel de "pacificadora", agradando investidores