• Gustavo Candiota

Por que o dólar sobe há mais de 8 anos?


Todos acompanhamos diariamente as oscilações do preço do dólar. Tanto quem trabalha com câmbio, quanto passageiros, agências de viagens, importadores, exportadores e também investidores. A divisa norte-americana move o mundo, é basicamente o ativo mais seguro para se investir, depois do ouro. Um termômetro que mede a febre não só dos Estados Unidos, mas de toda a economia global.

Hoje tentaremos explicar de forma objetiva e simples por que a moeda do Tio Sam tanto se valorizou nos últimos 8 anos. O que está por trás deste ciclo de alta além das especulações políticas e econômicas que mexem tanto na paridade com o real? Sim, se pensarmos em longo prazo, o câmbio vem apenas subindo. As quedas são momentâneas. Algumas duram dias, outras semanas. No fim, olhando um gráfico mais amplo (zoom out), é fácil observar que a direção é de alta. Por quê?

Comportamento preço dólar últimos 8 anos

Motivos:

1) Taxa de juros Selic está em tendência de queda, tornando menos atrativo para estrangeiros que desejam rentabilizar seu capital em aplicações conservadoras, em países de risco, como o nosso. Imaginem que há 15 anos era possível ter 25% de rendimento a.a. em aplicações de CDB. Hoje não chegam a 5% a.a. Quanto mais cai a rentabilidade, mais eles procuram outras economias de melhor relação risco x retorno. Tirando seu dinheiro e mandando embora, sobram menos dólares. Com menor quantia da divisa por aqui, seu valor aumenta e o câmbio sobe.

2) Crises políticas provocam cautela nos grandes players. Imagine que você aplica bilhões na economia brasileira. Investimentos que vencem anualmente. Ou seja, de tempos em tempos você precisa tomar a decisão de renovar ou não a aplicação. É aí que se faz uma revisão sobre a conjuntura e se há o desejo de permanecer. Nesta hora verifica-se impeachment de presidente, queda de credibilidade nas agências de rating internacionais, protestos gigantescos nas ruas, etc. Você manteria seu capital no Brasil? Pois é, os gringos também não. É mais dinheiro que vai embora, e mais apreciação no câmbio (o real enfraquece).