• Gustavo Candiota

Menor taxa Selic da história. Haverá impacto no câmbio?


É motivo de grande comemoração o que estamos testemunhando na taxa de juros soberana do Brasil. No menor valor da história, a Selic agora em 5% a.a aos pouco começa a trazer o país para uma posição mais próxima das taxas de juros de países desenvolvidos. Estima-se que pode cair a 4% até o final do ano.

Quais os benefícios?

São muitos:

  1. Incentiva o investimento de empresas, aumentando a oferta de empregos

  2. Melhora o crédito imobiliário, aquecendo o setor de construção, que é um motor de economia

  3. Reduz taxas de juros de cartão e cheque especial, reduzindo o endividamento das famílias

  4. Bancos reduzem as linhas de crédito para compra de veículos

  5. Aumenta o "apetite por risco" de investidores, uma vez que as aplicações de renda fixa ficam pouco atrativas. Com retorno muito baixo, saem a procura de outros negócios, empreendem. Geram novos empregos.

  6. Com desemprego menor, melhora a renda da população, que consome mais e retroalimenta toda a cadeia econômica num circulo virtuoso.

Mas e para a taxa de câmbio? O Real ganha força?

Só temos a ganhar com juros baixos, exceto pelo fato de que deixamos de ser atrativos para o capital estrangeiro na arbitragem. Entenda: como também estamos com inflação muito baixa, nosso juro real (inflação + selic) não está mais atrativo para investidores estrangeiros. Pelo menos não mais como antigamente. No passado, mesmo com um risco-pais bem maior, oferecíamos uma alta rentabilidade (26% a.a). Isso trazia de fora uma enxurrada de dólares e consequentemente víamos um câmbio a patamares muito inferiores ao que temos hoje (entre R$ 2,00 e R$ 2,50). Não somente devido a isso, mas contribuía bastante.

Gráfico Meta para a taxa Selic a.a. - últimos 10 anos

Por sinal, para muitos especialistas, o "piso" da taxa Selic no Brasil deve ficar pelos 5% e não baixar mais por algum tempo. Pablo Spyer, Diretor de Operações da corretora Mirae Asset, em entrevista para o UOL opina que: "O juro no Brasil tem que oferecer um prêmio em relação à taxa praticada nos Estados Unidos para compensar o risco de o investidor aplicar aqui". "Abaixo disso, não compensaria e estrangeiros encerram posições".

Alias, por já terem encerrado grande quantidade de posições, gradualmente, nos últimos anos, não por acaso o dólar vem num ciclo de valorização e hoje vale mais de R$ 4,00 (somado a outros fatores). Sendo assim, novas quedas na Selic podem elevar ainda mais o câmbio no curto prazo. No medio e longo prazo os viajantes internacionais podem ter esperanças de faixas mais baixas no dólar, se toda a economia brasileira crescer, fortalecendo o Real.

Att

Gustavo Candiota

Diretor GC Prime Câmbio Inteligente

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por Gustavo Candiota

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