• Gustavo Candiota

Crash do Petróleo: qual será o reflexo no preço da gasolina?

Atualizado: Abr 28

Antes de tentar responder a pergunta, vamos voltar um pouco no tempo. Mais precisamente a Maio de 2018. Quem lembra da greve dos caminhoneiros que parou o país? Um enorme transtorno para a cadeia produtiva nacional. Poucos motoristas, exceto de ambulância, conseguiam viajar pelas estradas. Prateleiras de supermercado ficando vazias. Postos sem combustível estilo filme Mad Max. Produtores de alimentos descartando produtos em massa. Relatos comoventes na TV. Um pesadelo.


Parenteses: Comparado ao que estamos vivendo hoje, aquilo nem era tão ruim. Concordam?


Mas... por quê exatamente os caminhoneiros protestaram fechando todas as estradas? Você lembra? Resposta: Devido aos constantes aumentos do litro do diesel nas bombas.


Mas por qual motivo os preços dos combustíveis estavam sendo elevados com grande frequência? Simples: o Governo Temer, à época, decidiu finalmente abandonar a política de congelamento de preços da Petrobrás e passar a refletir a cotação do Petróleo. Com o principal objetivo bem claro: parar de prejudicar financeiramente a estatal que precisava arcar com prejuízos enormes nas situações em que o Barril subia. A medida antiga era populista e visava controlar a inflação. A nova era focada na saúde financeira da petroleira e se mostrava mais transparente e semelhante às de países desenvolvidos, como os Estados Unidos, por exemplo. E naquele momento, o "ouro negro" estava subindo sistematicamente, refletindo quase que diariamente nas bombas dos postos brasileiros. Resultado: protestos da categoria. Pararam tudo! O Brasil ainda não está acostumado com um mercado mais dinâmico e flutuante.



Voltando ao presente, quem diria... esta nova política da Petrobrás está, aos poucos, derrubando o preço nas bombas uma vez que o barril do petróleo esta sofrendo quedas sem precedentes devido ao excesso de oferta e entrou, inclusive, no campo negativo nos contratos futuros pela primeira vez na história. Bom para o consumidor que vai continuar vendo o preço cair nas bombas. Mas não se iluda! Petróleo negativo não significa que você vai receber dinheiro para encher seu tanque.

Em termos de preço real, veja o comportamento do preço do Petróleo WTI Americano no ano de 2020. No momento em que este texto está sendo escrito o Barril custa U$ 14,73




O resultado do choque do petróleo terá algumas consequências:


  1. combustível mais barato (mas não de graça);

  2. Queda no preço do gás de cozinha*;

  3. Queda no preço dos produtos de limpeza*;

  4. Muitos postos devem encerrar atividades;

  5. Desemprego no setor;

  6. Petrobras reduzirá investimentos;

  7. Chance de deflação de curto prazo;

  8. Cias aéreas cancelarão pedidos de novos jatos;

  9. Setor do álcool mais prejudicado do que já estava.


*derivados de petróleo


O que significa um barril de petróleo de contrato futuro no negativo? Como pode a commodity ficar abaixo de zero?


Resposta: os produtores já estão pagando para que o comprador retire o produto, ou seja, o primeiro simplesmente não tem mais onde colocar o excedente uma vez que, apesar dos cortes recordes da última semana, a extração continua e a demanda mundial segue abaixo do produzido. Novos cortes provavelmente virão em breve. Mas enquanto isso não acontece, mesmo pagando, ninguém quer retirar. Algo inédito desde 1983.


Um exemplo da situação, na prática: As refinarias americanas estão processando muito menos petróleo que o normal, o que faz com que milhões de barris fiquem presos em instalações de armazenamento em todo o mundo. Grande comercializadoras de petróleo já contrataram navios apenas para ancorá-los e enchê-los do combustível. Um recorde de 160 milhões de barris está estocado em navios tanque pelo globo. Fonte: veja.abril.com.br 20/04/2020.


Todo esse pavor, obviamente, reflete no dólar, que sobe com investidores querendo proteção (veja gráfico abaixo com o comportamento do preço em 2020).


Dólar renovando seu recorde histórico em 22/04/2020


Isto tudo é muito ruim para a Petrobrás que está com baixíssima demanda pelo refino e, para completar, tem sua dívida atrelada ao... dólar. Triste realidade. No fim uma política que foi feita para beneficiar a companhia ironicamente é o que está agora prejudicando-a de uma maneira brutal. A empresa precisará rever seu modelo de negócios. Reduzir custos, adiar investimentos. Urgente. Algo que prejudicará bastante o Brasil. Mas quem poderia prever uma Pandemia nestas proporções e com essas consequências todas em questão de semanas? Ninguém. Nem Bill Gates.


De agora em diante, o mundo vai tentar, além de controlar a pandemia, juntar os cacos do desastre econômico e se reerguer. Vai demorar, teremos tempos difíceis. Por enquanto, evite sair de casa. Mas se for necessário um deslocamento, saiba que pelo menos o preço da gasolina estará menor. Quanto? depende do estado, conforme as alíquotas de impostos e da política de repasses da Petrobras. Na média, provavelmente veremos o litro ao redor dos R$ 3,00. Nada muito abaixo disso.




Gustavo Candiota

Formado em Administração de Empresas pela PUCRS

Diretor da GC Prime Câmbio Inteligente

Executivo do mercado financeiro e assessor de câmbio

Certificado AAI Ancord em 2010 e PQO Bovespa em 2012

CE Intr. Wall Street no New York Institute of Finance e Criador do Blog do Câmbio


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por Gustavo Candiota

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