• Gustavo Candiota

Opinião: fechar fronteiras não está funcionando.

Atualizado: Mar 19

Desde o início da Pandemia, governos adotam medidas draconianas para tentar conter o contágio do novo coronavírus. E a grande maioria não está conseguindo. Basta olhar os números e gráficos de novos casos e óbitos nos últimos 10 meses.


Por outro lado, estão conseguindo destruir alguns setores cruciais para a recuperação econômica dos respectivos países e com os quais possuem relação diplomática. Além disso, estão acabando com o emprego e a vida de milhões, dos dois lados das fronteiras. O que fazer, além de vacinar o maior número de pessoas o mais rápido possível?


Testes. Milhões de testes. Cada vez mais testes. E multa aos infectados que descumprirem quarentena. Principalmente se forem do grupo de risco, pois são estes que, em 99,9% dos casos, ocupam leitos de UTI. De resto, life must go on. Sim, a vida tem que continuar. Precisamos enfrentar a Pandemia com mais coragem, menos pânico. Temos que pensar mais com a razão e menos com a emoção.




Recentemente o Canadá resolveu impedir vôos para México e Caribe até final de abril. Vai funcionar? A presidente do WTTC (Conselho Mundial de Viagens e Turismo), Glória Manzo, em entrevista ao Portal Panrotas, opina que se trata de uma decisão infeliz e que é mais um fator para prejudicar a região já fortemente abalada. Ela afirma que bloqueios e cancelamentos de vôos não são a solução e lembra que o setor de viagens e turismo responde por quase 10% do total de empregos do país. E com o impacto devastador que a covid19 já provoca na America do Norte, estima-se que até 14 milhões de empregos podem ser perdidos no continente. Portanto, sugere mais colaboração entre os países. Mais planejamento, mais testes, mais rastreamento.


Não seria melhor adotar um rigoroso controle de testes nos aeroportos em uma iniciativa conjunta entre governos? Provavelmente sim, mas isso dá mais trabalho, é mais complexo. Semelhante a isso temos os governos estaduais que fecham comércio e restaurantes para reduzir a circulação da covid19 e aliviar a ocupação de UTIs, mas não fiscalizam festas clandestinas, ônibus lotados, ruas populares de centro entupidas de gente, etc.


Talvez neste momento você esteja pensando: "E o caso da Australia, da Nova-Zelândia, e do nosso vizinho Uruguai? Está funcionando." Sim, são alguns dos países que conseguiram controlar a doença, mas estes são privilegiados geográficamente e são exceção. No entanto, ninguém sabe ainda qual será o impacto dos lockdowns a longo prazo. Na saúde mental das pessoas, nos empregos, no fechamento de empresas. Além do mais, vamos pensar nos exemplos de quem fechou fronteira e não adiantou? Estados Unidos, Europa, Argentina, Canada, Itália, Reino Unido, Bélgica, Espanha, França, Suíça, Portugal...


O que fica parecendo é: políticos precisam dar satisfação pra população. Não querem parecer omissos em um momento tão sombrio. Não querem "mortes na conta deles". Então deixam de pensar no problema a longo prazo (empregos e vidas perdidas por reflexo das restrições) e pensam somente no curto prazo. Sim, é louvável a preocupação com o colapso do sistema de saúde. Isso não pode acontecer. Mas por que então não trabalham para criar mais hospitais de campanha, contratar mais médicos, enfermeiros, comprar equipamentos?


Portanto, fica o questionamento: Como manter sob controle a ocupação de leitos e não destruir o setor de turismo, de eventos, de bares e restaurantes e de dezenas de outros setores? Opinião: Testes, rastreamento de infectados, testes, isolamento vertical (nunca mais foi falado a respeito), testes, e vacina, quando houver dose disponível.



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