Como era a viagem de um Brasileiro aos EUA nos anos 90

14/07/2016

Veja a diferença de poder de compra que um brasileiro tinha ao viajar aos EUA na época em que o Real foi criado e artificialmente valorizado no câmbio para estabilizar a economia. Não era por acaso que alguns passageiros voltavam com 3 ou 4 volumes, excediam suas cotas de compra (USD 500), pagavam multas, passavam por momentos tensos na alfândega e, ainda assim, valia a pena. Era uma verdadeira festa do consumo desenfreado desnecessário.

 

 

 

Exemplos:

 

1) Comprar um CD de música era incrívelmente barato;

 

Na época em que as MP3 ainda eram lenda, ou estavam em teste, música em CD era o máximo. E como era barato comprar nos EUA. Os melhores álbuns no Brasil geralmente eram importados. Em Miami, um cliente pagava 1/5 do valor. Aquela época traz boas recordações. Quem não gostava de ter um Porta-CD bacana na sala de estar? Quem ainda tem?

 

 

 

 

2) Comprar jogos de videogame era enlouquecedor;

 

Eu comprei 11 jogos em uma viagem que fiz quando adolescente. Sim, ONZE. Só porque era barato, alguns nem abri a caixa, nunca foram jogados. Mas valia a pena. Brasileiros compravam ao se impressionar com a diferença de valores e nem pensavam sobre a necessidade. Destaque para os "picaretas do centro de Miami" que vendiam consoles desbloqueados e falavam português. Quem lembra?

 

 

 

 

3) Comprar o enxoval do bebê nos EUA era praticamente o auge da felicidade de uma mulher;

 

Ja vi em minhas viagens com excursões algumas mulheres comprarem nada menos do que 200 ítens de enxoval de bebê em suas viagens à América. Como era possível? Com o câmbio a 0.85. Carrinhos de bebês, bebês conforto, cercadinhos e outros volumes gigantesco que exigiam um navio cargueiro estavam entre os itens indispensáveis às futuras mamães. Se a futura vovó ia junto então, nem se fala. O avião praticamente não conseguia decolar.

 

 

 

 

4) Comprar tênis era tão barato que levava-se para a família inteira;

 

Alguém lembra da diferença de valores? Em algumas épocas era tão absurda a diferença que as famílias traziam tênis não só para si, mas para a família inteira, pros colegas de trabalho, para o chefe e até para a sogra. Sentiam-se obrigados a comprar. Caixas e mais caixas eram levadas das lojas. Havia muita dificuldade para circular no quarto do hotel em um certo ponto da viagem.

 

 

 

 

5) Os adolescentes em excursões à Disney traziam Mickeys e Minnies do tamanho de uma pessoa;

 

Quem lembra das excursões à Orlando com grupos de mais de 1000 pessoas divididos em dezenas de núcleos com bandeirinhas erguidas pelos seus guias no início da fila? Agências de Viagens cresceram muito nesta época. Os tempos de ouro do setor, sem dúvidas. Algumas bloqueavam hotéis inteiros para receber seus clientes. Os adolescentes varriam as lojas de brinquedos, roupas, maquiagens e tranqueiras em geral. Tudo era comprado. Muitas vezes o dinheiro que levavam para 1 semana acabava no primeiro dia.

 

 

 

6) Os encomendadores eram uma verdadeira praga (ainda são).

 

Naquela época, avisar que um embarque aos EUA estava próximo era quase uma assinatura de sentença de morte. Ou pelo menos, fazia querermos matar alguns. Primos distantes e amigos aumentavam nas vésperas do embarque, as pessoas faziam pedidos completamente estapafúrdios, coisas desnecessárias. E nos anos 90 os encomendadores eram ainda mais comuns porque as passagens aéreas eram bem mais caras. Ou seja, formula perfeita para eles existirem: não queriam gastar com o deslocamento, mas queriam comprar barato. Era o mundo ideal. Great Deals sem esforço ou custo indireto algum.

 

 

E aí, algum leitor se identificou? Trouxe recordações e nostalgia? 

 

Abraços a todos e boa noite.


Att,

Gustavo Candiota

Diretor GC Prime

 

 

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