É bom se acostumar com o câmbio alto por um bom tempo

26/11/2019

Esta sugestão foi feita pelo ministro da economia, Paulo Guedes, em recente evento na cidade de Washington (EUA). É uma notícia ruim para viajantes internacionais, um "balde de água fria" a quem está há semanas ou meses em orações, búzios, velas acesas, promessas, despachos nos cruzamentos, e tudo que seja válido para... que o dólar caia.

 

Mas... "E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará". João 8:32

 

As vezes a verdade é necessária, ainda que a declaração tenha sido feita em momento inoportuno, para aceitarmos de uma vez por todas a realidade. Por realidade, entenda: algo já foi muito alertado em nosso Blog, principalmente a partir de agosto/2019: O cenário agora é outro, os tempos de dólar abaixo de R$ 4,00 acabaram.

 

Mas por que o ministro falou isso? Pra quê esfregar na nossa cara? Será que ele não se importa com quem está sofrendo (financeiramente) às vésperas de seu embarque ao exterior? Ou ele recebe em dólares? Ou porque quer incentivar o turismo local, quem sabe...

 

 

Nenhuma das alternativas acima. O ponto é mais complexo e profundo. Guedes quer explicar que o novo governo vai agir diferente com relação ao câmbio. Não apenas por querer mantê-lo flutuante, com poucas intervenções do Banco Central, mas também para passar tranquilidade aos mercados uma vez que a taxa real (dólar nominal + inflação doméstica - Inflação EUA) ainda está bem abaixo do que em tempos de Lula ou Dilma. 

 

Hoje em dia vivemos momentos de taxa Selic em mínimas históricas. É muito difícil manter-se atrativo a investidores internacionais com juros baixos e moeda forte simultaneamente. Trata-se do chamado "câmbio de equilíbrio". Necessário, também, para melhorar a balança comercial.

 

Nas palavras do ministro:

"O juro é mais baixo e, agora, o câmbio de equilíbrio é mais alto, é bom se acostumar com isso por um bom tempo. E isso ainda não foi compreendido pela maior parte da população”

 

Mas e eu, que estava louco para fazer compras em Miami, o que faço? :(

 

Talvez tenha chegado o momento de aceitar que não está mais TÃO atrativo fazer seu enxoval de bebê ou compra de eletrônicos lá fora. Principalmente se lembrarmos dos anos 90 ou 2000. A farra do consumismo desenfreado acabou. Ainda é e sempre será maravilhoso viajar para fora do país, inclusive Miami, com tantas atrações. Mas tente enxergar essas experiências como turismo de verdade. Conhecer lugares incríveis, paisagens de tirar o fôlego, experimentar uma gastronomia distinta da nossa, praticar outros idiomas, etc. 

 

Novo recorde histórico do dólar ante ao real, atingido em 26/11/2019 - Taxa nominal 

 

Veja acima o comportamento do preço do dólar nos últimos 10 anos (taxa nominal) e entenda: a tendência é de alta, sem qualquer margem para dúvidas. E assim deve permanecer por um bom tempo, com alguma queda forte de curto prazo na esteira de notícias positivas. Ex: fim da guerra comercial EUA x China, ainda que não suficiente para uma inversão de direção de fato. Falamos especulativamente. Lembre-se: o dólar por si só encontra-se em um ciclo de valorização perante o mundo.

 

Se o passageiro começar a entender as diferenças do conhecer x comprar, mesmo com o câmbio em novos patamares perceberá que ainda é possível explorar o mundo com a família, seu amor, ou seus amigos, ou sozinho, a um custo total em reais semelhante aos tempos de outrora. Acredite! É sim possível. Basta economizar em gastos não essenciais e gastar no que vale a pena de verdade: "Colecione momentos, não coisas."

 

Reforçando, analisando tecnicamente a situação: ter um câmbio depreciado pode ser muito benéfico para um país, desde que com uma política monetária e fiscal bem administradas, com suas taxas de juros soberanas e sua inflação controladas, como é o caso do Brasil agora. Dólar em alta recorde traz consequências primeiro, alguns reajustes de preços em produtos/serviços atrelados - ou com dívidas - em câmbio. Seu pão de cada dia vai subir. A gasolina vai subir. As viagens internacionais vão ficar mais caras. O salão de beleza custará mais caro, ja que os shampoos e cremes são importados. 

 

No entanto, no longo prazo, com mais capital estrangeiro entrando em nossa economia, com grandes players aterrizando, criando empregos, em um país mais aberto e atrativo às multi-nacionais que trazem conhecimento fabricando produtos muito além de acabados, como os de alta tecnologia (ex: microprocessadores), o que hoje importamos, futuramente poderemos comprar de fabricação nacional. Preços bem melhores.

 

Se o Brasil conseguir no longo prazo virar um pólo de desenvolvimento, de pesquisas, de tecnologia e de construções de grande porte, junto com um turismo mais atrativo (Real desvalorizado ajuda muito), com privatizações, aí sim, num horizonte mais distante, nossa economia crescerá de tal forma que a moeda nacional volta a se fortalecer até atingir um novo câmbio de equilíbrio. Acreditamos que esse é o objetivo de Paulo Guedes.

 

 

Gustavo Candiota

 

Formado em Administração de Empresas pela PUCRS

Diretor da GC Prime Câmbio Inteligente

Executivo do mercado financeiro e assessor de câmbio

Certificado AAI Ancord em 2010 e PQO Bovespa em 2012

CE Intr. Wall Street no New York Institute of Finance

 

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